BEM VINDOS!

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domingo, 12 de abril de 2009

Ensinar exige estética e ética



Paulo Freire

A necessária promoção da ingenuidade à criticidade não pode ou não deve ser feita à distância de uma rigorosa formação ética ao lado sempre da estética. Decência e boniteza de mãos dadas. Cada vez me convenço mais de que, desperta com relação à possibilidade de enveredar-se no descaminho do puritanismo, a prática educativa tem de ser, em si, um testemunho rigoroso de decência e de pureza. Uma crítica permanente aos desvios fáceis com que somos tentados, às vezes ou quase sempre, a deixar as dificuldades que os caminhos verdadeiros podem nos colocar.

Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso, nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo. Estar sendo é a condição, entre nós, para ser. Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. Estar longe ou pior, fora da ética, entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar.

Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado. De testemunhar aos alunos, às vezes com ares de quem possui a verdade, um rotundo desacerto. Pensar certo, pelo contrário, demanda profundidade e não superficialidade na compreensão e na interpretação dos fatos . Supõe a disponibilidade à revisão dos achados, reconhece não apenas a possibilidade de mudar de opção, de apreciação, mas o direito de fazê-lo. Mas como não há pensar certo à margem de princípios éticos, se mudar é uma possibilidade e um direito, cabe a quem muda - exige o pensar certo - que assuma a mudança operada. Do ponto de vista do pensar certo não é possível mudar e fazer de conta que não mudou. É que todo pensar certo é radicalmente coerente.


Referência bibliográfica
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 15. ed. São Paulo : Paz e Terra, 2000. p 36-37

sexta-feira, 3 de abril de 2009

3 de abril foi o dia da merendeira.elas mereceram.

IDÉIAS DAS TIAS MÁRCIA E PRISCILA
ELES CANTARAM E FIZERAM LINDAS CARTINHAS PARA ELAS
ELAS SÃO TUDO DE BOM! FAZEM UMA MERENDINHA DELICIOSA!

Doze maneiras simples de tornar difícil a aprendizagem da leitura (Artigo publicado em l’Éducacion, 22 de maio de 1980):


Doze maneiras simples de tornar difícil a aprendizagem da leitura
(Artigo publicado em l’Éducacion, 22 de maio de 1980):
1. Estabeleça como meta o domínio precoce das regras de leitura.
2. Cuide bem para que a fonética seja aprendida e utilizada.
3. Ensine as letras ou as palavras, uma a uma, certifi cando-se
de que cada letra ou palavra foi assimilada antes de passar
para a seguinte.
4. Defi na, como objetivo principal, uma leitura palavra-porpalavra
perfeita.
5. Não deixe as crianças adivinharem; pelo contrário, exija que
elas leiam com atenção.
6. Procure evitar, de todas as maneiras, que as crianças errem.
7. Dê um feedback imediato.
8. Detecte e corrija os movimentos incorretos dos olhos.
9. Identifi que os eventuais disléxicos e trate-os o mais cedo
possível.
10. Esforce-se para que as crianças apreendam a importância da
leitura e a gravidade do fracasso.
11. Aproveite as aulas de leitura para melhorar a ortografi a e
a expressão escrita; insista também em que os alunos falem a
melhor língua possível.
12. Se o método utilizado não lhe satisfi zer, tente outro. Esteja
sempre alerta, para achar material novo e técnicas novas.
(FOUCAMBERT, 1994, p. 13)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática


(...) sou professor a favor da decência contra o despudor. A favor
da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a
licenciosidade, da democracia contra a ditadura... Sou professor a
favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação,
contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes
sociais... Sou professor a favor da esperança que me anima apesar
de tudo... Sou professor a favor da boniteza de minha própria
prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo
ensinar, se não brigo por esse saber, se não luto pelas condições
materiais necessárias... ( Paulo Freire 1997 p. 115)

Justificando a leitura compartilhada.

(...) na vivência, há mera reação aos choques da vida cotidiana, a
ação se esgota no momento de sua realização (por isso é fi nita); na
experiência, o que é vivido é pensado, narrado, a ação é contada
a um outro, compartilhada, se tornando infinita. Esse caráter
histórico, de ir além do tempo vivido e de ser coletivo, constitui a
experiência. Mas o que significa entender a leitura e a escrita como
experiência? (...) Quando penso na leitura como experiência (...)
refiro-me a momentos em que fazemos comentários sobre livros
ou revistas que lemos, trocando, negando, elogiando ou criticando,
contando mesmo. (...) O que faz da leitura uma experiência é
entrar nessa corrente onde a leitura é partilhada. (...) Defendo a
leitura da literatura e de textos que têm dimensão artística, não
por erudição, mas porque são textos capazes de inquietar (...)
(KRAMER, 2000, pp. 28-29).

sexta-feira, 27 de março de 2009

Relatório revela que 18% dos detentos têm acesso a educação


Relatório revela que somente 18% dos detentos têm acesso a educação

Plantão | Publicada em 25/03/2009 às 19h40m

O Globo com informação da Agência Câmara

RIO - Dos 440 mil presos no Brasil, 75% não completaram a educação básica e 12% são analfabetos. Apenas 18% dos detentos têm acesso a alguma atividade educacional - ainda assim, incluindo cursos como o de violão. Esses dados, colhidos entre setembro de 2008 e fevereiro de 2009, constam do relatório preliminar sobre a situação da educação nas prisões brasileiras, apresentado hoje à Comissão de Educação e Cultura pela relatora brasileira da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito Humano à Educação, Denise Carreira.

De acordo com o relatório, além de a educação ser vista como um privilégio pelo sistema prisional, o processo educacional não é contínuo: basta haver qualquer tumulto no presídio para ser interrompido.

As condições de estudo são precárias: faltam salas de aula e os espaços que poderiam ser aproveitados são adaptados para funcionar como celas. Além disso, os professores enfrentam a desconfiança dos agentes penitenciários, que interferem no conteúdo.

Outro problema apontado pelo relatório é o conflito entre horário de trabalho e estudo. Quem trabalha, segundo Denise, dificilmente vai encontrar tempo para estudar. E, como a demanda é maior do que a oferta, é feita triagem por bom comportamento.

Também é obstáculo à educação nos presídios o controle "extremo" do acesso ao papel. Além disso, materiais escolares são destruídos em busca de drogas.

Recomendações

A Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação recomenda a aprovação de parâmetros para os sistemas estaduais desenvolverem políticas para a educação no sistema prisional; e também que todos os professores sejam concursados. Atualmente, o quadro de educadores é formado ainda por professores contratados por tempo determinado e por estagiários de pedagogia.

O relatório recomenda também a criação de unidades educacionais dentro dos presídios, com autonomia pedagógica, e ensino noturno, para facilitar o acesso à educação daqueles que, por causa do trabalho, não podem estudar.

Foram visitadas dez unidades prisionais nos estados de Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará e colhidos mais de 200 depoimentos de pessoas encarceradas, educadores, diretores e agentes penitenciários, promotores, juízes, defensores, além de ativistas de organizações de Educação e direitos humanos. Todo o trabalho contou com apoio da representação da Unesco no Brasil.

Os filhos tornam-se para os pais, segundo a educação que recebem, uma recompensa ou um castigo.

J. Petit Senn

segunda-feira, 23 de março de 2009

O que é letramento?

LETRAMENTO NÃO É UM GANCHO

EM QUE PENDURA CADA SOM ENUNCIADO,

NÃO É TREINAMENTO REPETITIVO
DE UMA HABILIDADE,

NEM UM MARTELO
QUEBRANDO BLOCOS DE GRAMÁTICA.

LETRAMENTO É DIVERSÃO
É LEITURA À LUZ DA VELA
OU LÁ FORA, À LUZ DO SOL.
SÃO NOTÍCIAS SOBRE O PRESIDENTE O TEMPO, OS ARTISTAS DA TV E MESMO MÔNICA E CEBOLINHA NOS JORNAIS DE DOMINGO.
É UMA RECEITA DE BISCOITO,
UMA LISTA DE COMPRAS,
RECADOS COLADOS NA GELADEIRA,
UM BILHETE DE AMOR,
TELEGRAMAS DE PARABÉNS E CARTAS DE VELHOS AMIGOS.
É VIAJAR PARA PAÍSES DESCONHECIDOS SEM DEIXAR SUA CAMA, É RIR E CHORAR COM PERSONAGENS, HERÓIS E GRANDES AMIGOS.
É UM ATLAS DO MUNDO,
SINAIS DE TRÂNSITO, CAÇAS AO TESOURO,
MANUAIS, INSTRUÇÕES, GUIAS,
E ORIENTAÇÕES EM BULAS DE REMÉDIOS,
PARA QUE VOCÊ NÃO FIQUE PERDIDO.
LETRAMENTO É, SOBRETUDO, UM MAPA DO CORAÇÃO DO HOMEM, UM MAPA DE QUEM VOCÊ É, E DE TUDO QUE VOCÊ PODE SER.

CHONG, Kate M. O que é letramento. In Sores, Magda Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. (p.410

quinta-feira, 19 de março de 2009

reflexão


“Tudo no mundo é duplo: visível e invisível
O visível, de resto, interessa sempre muito menos.”
Cecília Meireles: Olhinhos de Gato.

domingo, 1 de março de 2009

Olha para trás e siga em frente


"Olha para trás, para toda a jornada:
os cumes, as montanhas, o longo
caminho sinuoso através das florestas,
através dos povoados, e vê à sua frente
um oceano tão vasto que entrar nele nada mais
é do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.
Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente.

O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que
o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá
que não se trata de desaparecer no oceano.
Mas tornar-se oceano.

Por um lado é desaparecimento e
por outro lado é renascimento.

Assim somos nós.
Voltar é impossível na existência.
Você pode ir em frente e se arriscar..
Coragem!

Torne-se OCEANO!"
OSHO